Foi naquele instante que Lia compreendeu: a distância de 800 km não era nada comparada ao laço invisível que as histórias criam. O “alto” da estrutura física se tornava “perto” na medida em que corações se encontravam. Quando a exposição chegou ao fim, Lia recebeu um pequeno livro de capa dura, intitulado “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto – Histórias que Viajam” . Era o registro de todas as vozes que haviam falado naquele espaço. O bibliotecário da capital, ao saber da jornada de Lia, escreveu nas primeiras páginas: “Para quem ousa subir e observar, o horizonte nunca está tão próximo.”
Uma fábula contemporânea sobre a distância que nos une 1. O Chamado da Cidade Em um vilarejo encrostado entre as colinas da Serra Azul, as casas eram pequenas, mas os sonhos — enormes. Entre as crianças que corriam pelos becos de pedra, havia uma menina chamada Lia. Ela tinha apenas oito anos, mas já carregava nos olhos a curiosidade de quem quer viver tudo o que o mundo tem a oferecer.
A exposição não era apenas um evento; era um lembrete de que a altura que nos assusta pode ser a própria escada que nos eleva, e que a proximidade que buscamos está sempre ao alcance de um olhar atento e de uma voz disposta a contar. Anos depois, Lia, agora professora, colou um novo folheto na parede da biblioteca: “EXPLORANDO O ALTO E O PERTO – Oficina de Narrativas Interativas” . O convite era para que cada criança criasse seu próprio “alto” (um sonho grande) e seu “perto” (um passo simples para alcançá-lo). Assim, a tradição continuava, e a aldeia aprendeu, com cada geração, que o mundo está ao mesmo tempo “extremamente alto” e “incrivelmente perto” — basta estender a mão e abrir o coração. Reflexão Extremamente Alto e Incrivelmente Perto nos mostra que as fronteiras físicas — quilômetros, altitudes, muros — são apenas reflexos de limites que nós mesmos construímos. Quando ousamos olhar de cima, quando nos aproximamos com curiosidade, descobrimos que o universo inteiro cabe nas histórias que compartilhamos. Cada viagem, por menor que pareça, carrega a semente de um futuro maior. Que a sua história também encontre o ponto onde o alto se torna perto.
Um dia, ao abrir a porta da escola, Lia encontrou um folheto amarelado colado ao quadro de avisos: . O evento seria realizado na capital, a 800 km de distância, em um prédio de vidro que se erguia como uma flecha ao céu.
Lia nunca tinha saído da sua vila. O simples ato de viajar tantas milhas parecia tão alto quanto uma montanha, e tão perto quanto o som da campainha da igreja que ecoava todas as manhãs. Ainda assim, a ideia a fez tremer de excitação. Com o apoio dos pais e do velho bibliotecário, Sr. Tomás, Lia juntou cada centavo que pôde: a mesada dos domingos, as moedas encontradas nas rachaduras do chão, até o velho rádio que o avô lhe deu e que ainda rangia quando sintonizava a estação da capital. Quando finalmente teve o suficiente, comprou a passagem de ônibus e partiu ao amanhecer, com o vento ainda frio abraçando seu rosto.
Do alto, a capital parecia um mosaico de histórias. Cada janela, cada carro, cada pessoa que passava – tudo era ao mesmo tempo distante e intimamente conectado ao coração de quem observava. Ela percebeu que “extremamente alto” não era só a altura física, mas a sensação de estar acima das próprias limitações. “Incrivelmente perto” era o toque da curiosidade que nos faz sentir a vibração de cada detalhe, mesmo que ainda não possamos tocar.
O ônibus serpenteava pelos vales, cruzava pontes que pareciam fios de prata e subia colinas que se tornavam nuvens. Cada quilômetro percorrido era uma página do livro que Lia escrevia em sua mente — as histórias dos viajantes ao lado, as paisagens que mudavam como um filme em câmera lenta, o cheiro de café de uma cidade que ainda não conhecia.
Na terceira sala, o tema era . Histórias de pessoas de diferentes continentes eram projetadas nas paredes, e um microfone permitia que o público adicionasse sua própria voz ao mural de narrativas. Lia, timidamente, contou sobre a vila nas colinas, sobre o rio que cantava à noite e sobre o folheto que a trouxe até ali. Quando sua voz ecoou nas paredes, alguém da outra ponta do mundo — uma menina de São Paulo — respondeu, descrevendo o mar que ela via todos os dias.
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